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Mostrando postagens de Junho, 2014

PHILIP GLASS - O ENCANADOR

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Eu gosto muito dessa história que li no livro de Alex Ross "O resto é ruído". Ela diz muito a respeito de até que ponto a força do mercado pode distorcer aquilo que você acredita ou que quer ver dar certo.
Philip Glass e Reich no início da década de 70 começaram um movimento musical que depois foi chamado de minimalista, mas eles mesmos não sabiam denominar o que estavam fazendo, simplesmente acreditavam que aquilo era a evolução da música. Como disse o próprio Alex Ross, "A influência minimalista irradiou para os anos 80 e 90 a ponto de ser possível ouvir em qualquer butique da moda, em algum momento, um balbucio distante semelhante a Music for 18 musician, de Reich." Entretanto toda vanguarda não é facilmente aceita pelo mercado e se o artista cede "àquilo que as pessoas querem" jamais conseguirá emplacar o que realmente acredita. Nunca fará uma inovação marcante. O diferente não costuma agradar "o mercado." Então, Glass e Reich já eram basta…

ESSE É O FUTEBOL

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A gente ouve os comentaristas, mas de nada adianta. A verdade é que ninguém sabe nada desse esporte. O Daniel Alves concorreu a melhor jogador do mundo e é o pior da seleção, a Itália fez a melhor estréia da Copa e não passou da fase. A Holanda era considerada a melhor seleção do mundo e quase não passa das oitavas.
Quando os 22 homens correm atrás da bola tudo pode acontecer, definitivamente esse é esporte mais imprevisível que existe e por isso ele nos fascina tanto.

EU VI UM BEIJO NA RUA

Eu vi um beijo na rua.
E nada era tanto aquele beijo quanto você. Eu me senti ali, te abraçando, e entrando naquele instante, não eram mais dois desconhecidos que eu via, éramos nós, eu e você - foi quando me invadiu um sentimento... de paixão? Não, de desperdício, sim essa era a sensação de estarmos, os dois, jogando fora algo que pode ser lindo - por coisinhas pequenas, irrelevantes, por super dimensionar besteiras, por não conseguir, cada um do seu lado, deixar seu mundinho seguro para viver algo maior. 
E agora... somente a lembrança do beijo foi o que sobrou. Evaporando-se no etéreo com você e eu para sempre.

ISA

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Ontem foi um dia ao avesso. O maior trânsito que já vi na cidade desde que me mudei para São Paulo há 15 anos. O Brasil jogando parecia o Grêmio nos tempos que foi rebaixado para série B. Se já não bastasse, eu tinha comprado ingresso para ir num show/festa depois do jogo no estádio do Morumbi. Cheguei lá, e presenciei o caos completo. Espremeção nas filas, pessoas brigando com os seguranças e todo mundo que saia de dentro do estádio falava - não entrem, isso aqui está um horror. Por fim, a polícia veio e fechou os portões para ninguém mais poder entrar. Uma vergonha dessas que só acontecem nos países em que empresas não temem a lei, pois sabem que se fizerem algo errado e forem processados a chance de terem prejuízo é mínima. Então, seja o que Deus quiser.
Mas a história que eu queria contar não era essa. Essa apenas me levou a um restaurante onde estava jantando com uns amigos. Duas mesas depois, vi a Isa e comentei com o Gus e com a Manu.
- Essa menina fez curso de contos comigo. …

GALERA E O FIM DA LITERATURA

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Dentre as contribuições que Tchekhov fez à Literatura, talvez a mais notável delas, é ter tirado o peso que um bom fim deve ter numa história. "Contra todas as chamadas regras da arte, gosto de começar com forte e terminar com pianíssimo" Disse ele certa vez ao seu amigo Suvórin. E de fato, isso é muito presente em seus contos, como no mais famoso de todos A Dama e o Cachorrinho, onde o início e o meio da história tem muito mais tensão que o término. Essa tendência de acabar com os finais apoteóticos não acontecia apenas na literatura, Strauss na mesma época (final do século XIX) encantou o mundo com sua mais famosa sinfonia "Assim Falou Zarathustra" (imortalizada no cinema por Stanley Kubrick na abertura de 2001 uma Odisséia no Espaço) de início retumbante e final fading.



Essa inclinação para um final quase inacabado ou aberto, como os críticos preferem chamar, tomou conta da Literatura depois de Tchekhov, chegando ao ponto de hoje já prevermos que alguns finais …

OS 7 CUMES E EU SÓ QUERIA UM

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Eu escrevi neste texto que todos temos condições de alcançar grandes objetivos. Metas que hoje parecem muito distantes, começam a se aproximar de nós à medida que vamos conquistando objetivos menores, que vão nos dando confiança, no meio do caminho, conhecemos pessoas que já conquistaram o que sonhamos e quando menos se espera... chegamos lá.
Acho que assim como todo o corredor ou ciclista almeja, mesmo que distantemente fazer um Ironman, todo aventureiro que se preze tem o desejo de escalar o Everest e de dar a volta ao mundo de barco. Pois bem, o problema é que tanto alpinismo quanto a navegação são como a agricultura. Você planta na época certa, usa as melhores sementes, o melhor adubo e aí... vem uma geada fora de hora e acaba com sua produção. O triathlon depende basicamente de você. Se treinar certo e estiver bem preparado a chance que algo dê muito errado no dia da prova é mínima. Os esportes de aventura implicam risco, e se não fosse isso, não teriam esse nome. O problema é o …

NATUREZA CRUEL E BONDOSA

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Semana passada publiquei no meu Twitter que ouvia uma ópera de Handel. Algumas pessoas me perguntaram qual era, e é por aí que chegamos em Lars Von Trier, um dos meus diretores favoritos. A ópera se chama Rinaldo e a conheci na abertura de Anticristo, filme dele que tem na abertura uma linda ária chamada - Lascia ch'io pianga. A música não podia se encaixar melhor à cena, uma das mais lindas do cinema (vide abaixo). Muita gente acha tanto esta cena, quanto o filme ou todos os filmes do cineasta dinamarquês muito pesados. Entretanto, este é o seu grande mérito. Von Trier não está preocupado em mostrar ao mundo o que todos querem ver e sim como ele acredita que as coisas são na sua essência. Em determinado momento de Melancolia (outro filme dele, que só não ganhou o Oscar porque o diretor deu uma declaração infeliz na abertura do Festival de Cannes em 2011) um asteroide está para se colidir com o Terra e acabar com a vida humana. Um dos personagens indaga - mas isso não pode acontec…

A CULPA É DAS ESTRELAS

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Acabei de assistir o filme baseado no livro homônimo de Jonh Green. Já expus aqui minha tendência a rejeitar quase tudo que é popular demais. Entretanto, aprendi com David Wallace Foster que até mesmo os clichês tem seu valor e não deixam de ser verdades que de tão ditas acabaram ficando desgastadas, mas no fundo são legítimas. E hoje em dia, Jonh Green é o mais popular escritor entre os jovens, o que já me fez ficar com o pé atrás em relação ao filme. Claro que jamais podemos comparar um filme com o livro, e eu nunca li nada dele, mas a história é boa, bem contada. A incidência da morte no romance do casal de jovens com câncer mantém uma tensão constante, mesmo com eles se relacionando de forma humorada com o problema. Um filme que vale a pena assistir e colocarei um dos livros de Green entre os meus lidos desse ano.


A VOZ

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Hoje acordei às 4:20 para pedalar como normalmente faço às terças e quintas. Entretanto, hoje era um dia que eu colecionava desculpas para não ir no treino. Era a manhã mais fria do ano (6 graus), minha roupas de treino de frio estavam todas molhadas, eu acabei de completar um Ironman, enfim motivos não faltavam. Mas chega uma hora que quando você pensa em desistir sempre vem uma voz que não te deixa fazer isso. Para piorar a vida do meu "eu preguiçoso",  ainda lembrei desse vídeo, aí não teve jeito mesmo.


ALTO DESEMPENHO CORPORAL

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Lembrei só depois que acabei a prova que escrevi esse texto em 2004. Nessa época, nem prova de corrida de 10km eu fazia. Acabou acontecendo exatamente como escrevi, sem que eu ficasse seguindo isso como um plano para concluir o objetivo.
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Essa constatação pode ser surpreendente, mas praticamente todos nós podemos completar um IronMan (prova de ultra-resistência que compreende de uma única vez 3,8 km de natação, 180 km de bicicleta e termina com 42 km de corrida) se tivermos a vontade necessária para fazê-lo. A prova disso é que há atletas com mais de 65 anos que finalizam essa prova sobre humana, sendo que muitos deles começaram a treinar depois dos 50 anos.
Hoje o IronMan (esse exemplo vale para qualquer objetivo que desejamos alcançar) pode ser algo muito distante para quem não está treinando para isso, mas se você colocar na sua cabeça que quer finalizá…