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Mostrando postagens de Maio, 2011

AMOR SEM FIM - IAN MCEWAN

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Uma onda de racionalismo vem banhando minhas leituras nos últimos tempos. Começou com Ayn Rand, e sua Revolta de Atlas, ocupando boa parte das minhas noites mal dormidas. Literalmente - a obra que, segundo a biblioteca de Chicago, mais influenciou os EUA depois da Bíblia - deixa um pouco a desejar, mas a coerência de sua filosofia, o Objetivismo, transforma seu mais importante livro numa grande obra. Rand defende o sistema racional como a melhor forma de se alcançar a felicidade. Foi aí que chegou às minhas mãos uma crítica de Amor sem fim, que acaba de ser reeditado no Brasil pela Companhia das Letras, e me deixou com muita vontade de lê-lo. Interrompi a leitura de Ayn (parece que McEwan não sabe mesmo esperar sua vez) pensando que seria invadido por todo aquele sentimentalismo presente nos romances. O texto começa com uma descrição impressionante de uma cena em que cinco homens tentam desesperadamente salvar uma criança e um velho que não conseguem controlar seu balão de hélio. Tudo…

AS ENTREVISTAS DA PARIS REVIEW

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Escritores e amantes da literatura devem estar alterando seus testamentos para incluir neles a Paris Review. Explico o exagero. A expressiva revista francesa de literatura acaba de lançar uma coletânea com suas melhores entrevistas desde 1956. Passaram por lá nada menos que Hemingway, Paul Auster, Faulkner, Capote, Borges, McEwan e outros. Difícil escrever sobre esses mitos e suas ideias. O melhor mesmo, é deixá-los com a palavra. Abaixo trechos de duas das entrevistas que achei mais interessantes.


COMO CONHECER UMA CIDADE

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Dizem que a melhor forma de conhecer uma cidade é por meio das pessoas que nela vivem. Não sei se concordo. Quando chego numa desconhecida, gosto mesmo é de me perder por ela. Observar tudo em torno e não falar com ninguém. É me perdendo que vou conhecendo. Jogo com o imprevisível e descubro o que não esperava conhecer. O que me atrai é o concreto - ruas, construções, monumentos ...
Eu consigo entender mais os habitantes de uma região pela vibração do lugar do que conversando com eles. Cada cidade possui sua peculiar “sensação no ar”, já não mais percebida pelos seus moradores. Ela é fruto das experiências acumulativas de todos que os que vivem e viveram por ali e melhor captada por quem é de fora. Uma espécie de inconsciente coletivo do lugar. 
Talvez seja isso que busco quando chego num lugar novo. E essa sensação me marca tanto que muito tempo depois ainda consigo trazê-la de volta à minha memória. Basta ouvir uma musica que escutava quando estava por lá ou ver algo que me remeta …