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Mostrando postagens de Dezembro, 2014

LONDRES RESPIRO

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Viagens precisam de respiros. Quando se sucedem momentos intensos, de sensações aguçadas e sucessivas vivências inéditas, preciso parar. Respirar, baixar o ritmo, refletir e voltar a viajar.

Viajar mexe demais com o emocional, mexe na alma, no entendimento das coisas, no que a vida significa para mim. Como quando estamos tão enfiados num problema que não conseguimos enxergar por onde sair, mas alguém que vê de fora sabe exatamente a solução. Viajar é se afastar da vida repetitiva e condicionada que se leva, é ver se é isso mesmo que quero, é sentir falta do que gosto e desprezar o que não tem valor.

Londres foi um respiro no meio da viagem. Peguei dias em que a cidade estava num lento ritmo de Natal. Lojas e museus fechados, poucas pessoas nas ruas, dias curtos e bastante tempo dentro de casa.

A vida continua e a viagem também, amanhã Berlim reabre a temporada de agitação e novas experiências.

TURISTAS

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Ontem não escrevi. Motivo - fiz amigos. E não é mito essa história que um escritor deve ser solitário, são os ossos do ofício e essa é uma das desvantagens dessa arte. Mas estou aqui para falar da Islândia e no primeiro post sobre a viagem mencionei o Pondé e linkei uma crônica dele na Folha de São Paulo, entretanto a primeira vez que o li falar sobre esse país foi no seu livro - Guia politicamente incorreto da Filosofia.

"Volto da Islândia, um país maravilhoso. Antes de tudo porque ainda é vazio. Talvez dure um pouco antes de ser devorado pela breguice da indústria do turismo."

Pois sinto lhe informar Pondé, que a Islândia já foi descoberta e como. Segundo a previsão
do governo no ano que vem mais de um milhão de turistas visitará a ilha, o triplo do número de habitantes. Algo como o Brasil que esse ano bateu seu record com 6 milhões passasse a receber 600 milhões, nem somando 5 Copas, 2 Olimpíadas e uns 10 Carnavais chegaria perto. Claro que quem vem para cá é um turista dif…

BREVE GUIA PARA O FRIO

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Hoje fez um dia frio por aqui. Frio a ponto deles cancelarem a atividade que eu tinha, uma escalada pelas geleiras. Falando em frio, sempre preferi frio a calor. Quando pedalo no inverno em SP, o treino começa às 4:30 da manhã e o treinador fala "frio não existe, existe falta de equipamento." Concordo com ele, claro que quando a temperatura está abaixo de -15*C é difícil se proteger totalmente, mas até aí, se soubermos dispor os agasalhos podemos ter bastante proteção.

Deve-se começar com uma second skin, um tipo de camiseta especial, colada na pele para fazer a primeira retenção do calor. Depois uma camiseta mais quente, uma malha e uma jaqueta fina corta vento - o problema maior do frio não é a temperatura em si, mas o vento. 10*C pode ser mais difícil de enfrentar se estiver ventando do que -10*C sem vento, por isso as proteções desse tipo são tão importantes. Por cima da corta vento, malha de lã, moleton e finalmente a melhor jaqueta que se possa usar. Por baixo das calça…

BLUE LAGOON - DIA 2

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Eu pensava que como o dia por aqui teria poucas horas eu poderia dormir bastante. Ontem a experiência da aurora boreal foi até uma da manhã e hoje o ônibus passaria às 8:30 para me buscar. Despertei - porque alguém acorda às 7:30 num lugar que amanhece depois das 10h? Café reforçado e o ônibus passou sem um minuto de atraso.

Rumamos em direção ao Blue Lagoon. Essas aventuras na Islândia são caras, pois quem agencia sabe que são experiências únicas que você não pode encontrar em nenhum outro lugar. Eu já havia feito banhos termais nas águas quentes do Rio Danúbio em Budapeste, mas aquilo se parece muito com a piscina aquecida que nado diariamente, na Islândia a coisa é diferente.

O ônibus avança a noite por uma estrada deserta toda coberta por neve, ao lado só campos brancos e algumas montanhas baixas. O sol vai nascendo a medida que nos aproximamos do destino. No meio dessa paisagem adversa, surge do nada um lugar iluminado, com construções altas para aquele ambiente, uma espécie de fáb…

O RISCO VALE A PENA - ISLÂNDIA

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Pisei na Islândia. Talvez junto com o Tahiti o lugar mais isolado que já visitei. Várias referências me fizeram chegar até aqui, não necessariamente nessa ordem - sou fã incondicional do Sigur Róss, li o Pondé algumas vezes dizendo que se conhecer este país e amo "A vida secreta de Walter Mitty." Olha que nem citei a Björk porque nunca a vi cantar, somente atuando num filme do Lars Von Trier.

Quando comecei a dizer aos meus amigos que vinha para cá, ninguém, nem mesmo os poucos afortunados que já vieram, me incentivaram a vir nessa época (auge do frio e dos dias com menos luz no ano). Um dia meu irmão me falou "não acredite em nada do que dizem sobre uma onda, você tem que ir lá surfa-lá para poder tirar suas conclusões." Pois cá estou, surfando a onda de um país desconhecido para grande parte do mundo.

Viajar para um lugar inusitado é uma experiência muito peculiar. Adoro centros urbanos. Gosto de ter opções intermináveis quando viajo, mas mesmo sem ver nada sobre…

Pepê Lopes - ídolo

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Em tempos de Pipe Master, jamais poderemos nos esquecer de um dos maiores atletas que o Brasil já teve Pepê Lopes. Pepê foi campeão de tudo, de equitação a asa delta. Competidor nato, de talento incomparável, em 1976 foi convidado a participar de um Pipe Master, sem jamais ter surfado no Hawaii. Chegou ao Nort Shore sem saber como quebravam as ondas em uma bancada de coral. Treinou alguns dias e fez a final na onda mais temida do planeta - resultado jamais igualado por outro brasileiro em toda história do surf. 


ET

Conheci uma menina de outro planeta. Talvez isso sendo lido agora pareça um conto fictício, mas quando a verdade vier a tona o que está escrito aqui não passará de uma história real ou um relato jornalístico.
Eu estava sozinho num bar na Vila Madalena, olhei para ela falando com suas amigas sobre trabalho, papo de bar, de gente que trabalha junto e faz fofoca dos patrões e conta casos engraçados que acontecem nesses ambientes e que os clientes jamais suspeitam. Falava bastante, mas aquilo não passava de mimetismo. De onde ela vem tem-se outro tipo de inteligência, algo como uma visão de dentro, sobre o significado real dos acontecimentos e a importância dos símbolos, capta-se a vibração dos sentimentos e com isso sabe-se como todos irão agir. Para eles o ser humano é sempre previsível.
Sentei na mesa contando uma história. O bar era espanhol, disse que vinha de Málaga, que havia acabado duas faculdades em Madri e que comprei uma passagem para o Brasil sem saber muita coisa desse país,…