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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

LEITURA DO FERIADO

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Não que eu tenha passado o feriado inteiro lendo, mas a combinação de aeroportos, praia e ócio me possibilitou acabar três bons livros esse final de semana. Vamos ao que tenho a dizer sobre eles.


On the road de Jack Kerouac O livro de Kerouac já nasce como um clássico, sua importância atravessa as décadas e apesar do autor negar, foi esta obra que influenciou a ideologia hippie de viagens sem destino e liberdade sexual. Ele antecipou tudo o que seria vivido pela América nos 60’s. O entusiasmo de Jack por estar na estrada ressoa na alma daqueles que também nasceram como nômades natos. Sua escrita tem por objetivo ser um reflexos do fluxo dos nossos pensamentos, fluidos, ininterruptos e nem sempre seguindo uma lógica. A tradução para o “brasileiro” (a edição portuguesa usava termos como boleia para designar carona e Oregão para o estado americano de Oregon) do também escritor e historiador Eduardo Bueno, o Peninha, merecidamente ganhou muitos prêmios quando foi lançada e…

AMOR - O FILME

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Para fazer uma análise do filme ganhador da Palma de Ouro em Cannes, primeiro é necessário que se entenda a diferença entre entretenimento e arte. O primeiro, como o próprio nome diz tem como objetivo entreter, divertir, distrair. Já a arte se propõe a marcar de alguma forma o espectador, fazê-lo refletir, sentir com mais profundidade, quem sabe. Algumas obras, não apenas no cinema, conseguem conciliar os dois mundos, como por exemplo As aventuras de Pi, mas não por isso são necessariamente melhores ou mais completas que aquelas que se dispõe a uma só coisa. O Amor retrata a vida de um casal de octogenários apaixonados e cúmplices mesmo que nada seja dito entre eles. Tudo começa a mudar quando a personagem Anne, interpretada pela atriz Emmanuele Riva que recebeu indicação ao Oscar 2013, começa a sofrer com as conseqüências mais duras do envelhecimento - dificuldade para se movimentar, falar e até mesmo pensar. Ouvi pessoas dizendo que o filme é lento - aqui entra a imp…

Bukowski entrevistado por Sean Penn

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Dezoito anos passados desde a morte do escritor, reproduzimos uma célebre entrevista feita pelo ator Sean Penn. O encontro ocorreu em 1987, quando o ator estava em Los Angeles para protagonizar Barfly, um filme-biografia sobre a vida de Bukowski, que ultrapassou em muito o território da literatura. Na última hora, porém, Sean perdeu o papel que foi entregue a Mickey Rourke. A entrevista se manteve e tornou-se memorável. Por razões de edição, a intervenção de Sean Penn concentra-se em escolher assuntos, pontos, questões que Charles Bukowski enfrenta como sempre: debochadamente, desbocadamente, cinicamente e… apaixonadamente, como era do feito daquele último beatnik, primeiro punk, amante das mulheres, das corridas e proprietário de frases e pensamentos sem freios.

AS AVENTURAS DE PI DE DENTRO DO BARCO

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Por muitos motivos, As aventuras de Pi é na minha opinião, o melhor filme daqueles que estreiaram no Brasil e que estão concorrendo ao Oscar (ainda não passaram por aqui Lincoln nem Les Miserables) Posso começar citando a beleza da fotografia e as lindas cenas criadas por Ang Lee em alto mar. Vale a pena também mencionar que As Aventuras Pi foge do padrão Disney do menino que fica amiguinho do animal e juntos lutam contra as adversidades. Pi e o tigre vivem momentos tensos o tempo todo e estão sempre disputando espaço no barco e no final nem mesmo sabemos se o tigre existe. Por fim, o fim, que fica aberto e com várias possíveis interpretações.
Agora imagine-se  assistindo esta história de dentro do barco do personagem principal?
Foi o que aconteceu na pré-estréia de Paris no final do ano passado. Confira o vídeo abaixo.




TRISTEZA

Uma sensação, não, não é uma sensação é o próprio corpo da tristeza quem se apoderou de mim. Sinto-me sem ter o que fazer se não tentar por um pouco para fora o que estou sentindo. O Ferreira Gullar tem uma teoria de que o artista é um grande sacana. Quando não suporta mais seu sofrimento, pega toda a sensação e transforma em arte, se livrando daquilo, o espectador que passa ali inocentemente é quem acabará absorvendo a sensação e levando-a para casa. Pode ter certeza que esta não é a minha intenção. Sal Paradise narrador do livro On the Road, passa por muitos momentos de tristeza em suas cruzadas pelos EUA, mas geralmente é por não ter dinheiro, às vezes nem para comer. Entretanto é quase no final do livro, quando ele tinha economizado uma grana da sua bolsa de estudos que ele se sente mais desolado “... desejando ser um negro, sentindo que o melhor que o mundo branco tinha a me oferecer não era êxtase suficiente... Desejava ser um mexicano de Denver, ou mesmo um pobre japonês sobr…

LUGAR TRANQUILO

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Vou te contar essa história, mas não espalha. Contei para um amigo meu e ele disse que sair falando disso é dar um tiro no pé. Eu viajei de vir passar o final do ano aqui em Brasília, achei que ia ser o maior agito, todo mundo de férias e tal, mas o pessoal aqui é tudo filho de político e vaza para sua cidade quando as aulas acabam. Aí eu to aqui num calor do caralho, sem nada para fazer. Não sei de onde o Renato Russo tirou aquela frase “nesse país lugar melhor não há” – nunca sai do Brasil, olhei no mapa e a capital mais próxima é La Paz, não sei falar espanhol, mas parece que é bem parecido com português, um dia e meio de bus, mas paciência eu vou.

Uma verdade incoveniente sobre - As aventuras de Pi!!!

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O ARTISTA

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"Os artistas são as pessoas mais motivadas e corajosas sobre a face da terra. Lidam com mais rejeição num ano do que a maioria das pessoas encaram durante toda uma vida. Todos os dias, artistas enfrentam o desafio financeiro de viver um estilo de vida independente, o desrespeito de pessoas que acham que eles deviam ter um emprego a sério e o seu próprio medo de nunca mais ter trabalho. Todos os dias, têm de ignorar a possibilidade de que a visão à qual têm dedicado suas vidas seja apenas um sonho. Com cada obra ou papel, empurram os seus limites, emocionais e físicos, arriscando a crítica e o julgamento, muitos deles a ver outras pessoas da sua idade a alcançar os marcos previsíveis da vida normal - o carro, a família, a casa, o pé-de-meia. Por quê? Porque os artistas estão dispostos a dar a sua vida inteira por um momento - para que aquele verso, aquele riso, aquele gesto, agite a alma do público. Artistas são seres que provaram o néctar da vida naquele momento de cristal quando…