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Mostrando postagens de Junho, 2015

Último dia - Mentawai

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São poucos os dias da nossa vida que nos lembramos para sempre. Lembramos de acontecimentos, mas dificilmente lembra-se do dia todo desde a hora que se acorda até quando se vai dormir. Ontem foi um desses poucos dias que ficará para memória.  Amanhecemos em Macarronis, que é considerada a onda mais perfeita de Mentawai. Havia uma previsão de swell, mas as 6:30 da manhã elas estavam baixas e 8 barcos repletos de surfistas ávidos pela promessa das ondas também esperavam para pular na água. O pessoal do nosso barco se reuniu para fazer uma votação - encáravamos o crowd com poucas ondas ou tentaríamos outro lugar há 4hs dali? Dessas coisas do destino, a busca venceu. Chegamos em Lances Left com 6 pés de onda, clássico e com 5 surfistas, que logo sairam nos deixando sozinhos no pico, num dos melhores mares da viagem. Não sei exatamente quanto tempo ficamos na água, mas certamente mais de 3hs sem parar de pegar onda.  O vento mudou de direção e uma nova votação nos levou à direita mais tubular …

Mentawai relato 2

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Quando conheci a Karina ela fazia corrida de aventura. Competia em provas em que ficava dez dias dormindo 2hs por dia, comendo mal, correndo no meio da mata, nadando em rios com correnteza, remando, andando de mountain bike (às vezes com ela nas costas). Mas o que mais me impressionava nos seus relatos não era tanto o tamanho do desafio, mas que quando aquilo acabava, ela ficava um mês em estado depressivo. Sentia tristeza o tempo todo, chorava sem motivo e não tinha vontade de fazer mais nada. O surf é bastante traiçoeiro nesse sentido. Quando há ondas, ou previsão para a entrada delas, sente-se uma euforia incontrolável. Parece que tudo brilha e você se sente na melhor fase da sua vida. No entanto, ondas boas, mesmo aqui em Mentawai dependem de muitos fatores - tamanho e direção da ondulação, período das ondas, vento, corrente - e somente um desses fatores pode atrapalhar todos os demais. E talvez por isso mesmo que surfistas se sentem tão felizes quando elas quebram perfeitas nas ba…

Mentawai capítulo 1 bem atrasado

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Não escrevi nada desde que cheguei. Não ter quase acesso à internet tem inúmeras vantagens, não preciso listar, mas criou essa ideia idiota em mim - que se não vou postar não escrevo. Meu Kobo quebrou na viagem, por sorte eu trouxe dois livros e o último acabou de acabar. Desci até a cabine que estou dormindo com o Lucas e roubei o Kindle dele. Abri os livros disponíveis, ele tem uma boa lista de 132 itens e entre eles achei Febre de Bola do Nick Hornby. E foi a breve leitura de Hornby que me fez começar esse breve relato.  Cheguei à Mentawaii num dos piores estados que já tive na vida. Eu fiz um IronMan no domingo e embarquei para cá na terça-feira a noite. Se contar todo o tempo, desde que cheguei em casa para fechar minhas malas antes de ir para o aeroporto até por os pés na pousada que ficamos nos primeiros dias acho que dá umas 80hs. Meu corpo estava vulnerável, recuperando-se da prova e algum vírus entrou para me derrubar. Passei dois dias muito mal, sendo que um deles num ferry …