II DIA - A CHEGADA E O TREINAMENTO

Acabo de chegar em Jurerê. Mesmo há 4 dias da prova, a praia já tem a vibração do evento, pessoas correndo nas ruas, bicicletas para todos os lados, placas indicando a largada, casas que são verdadeiros QGs das marcas de triathlon. E é muito diferente você estar aqui como atleta, você vê tudo isso e inevitavelmente sobe aquele frio na barriga. Passa pela sua cabeça tudo o que você já fez para chegar até este momento.
Dizer que treinar para um Ironman exige muita dedicação é chover no molhado, e verdadeiramente eu vejo a coisa de outro jeito. Por mais disciplinado que você seja, você jamais conseguirá terminar uma planilha de um ano de treinamento se não tiver o mais fundamental de tudo - tesão pelo esporte. A disciplina aqui, depende muito mais de você escolher algo que realmente gosta do que você ser obstinado por realizar um objetivo. Afinal, nada irá tirá-lo da cama, pelo menos três vezes por semana às quatro da manhã sabendo que você não irá ganhar nada com isso, pelo contrário, vai sofrer muito, que não seja esse tesão a que me refiro. Portanto, se você não ama ficar horas em cima de uma bicicleta, passar kilometros olhando a sua velocidade na corrida ou cansar de dar viradas em uma piscina fechada, esqueça, isto não é para você. Por outro lado, quando esta paixão está dentro, o despertador toca a noite e você não consegue intelectualmente entender porque você está levantando aquele horário, mas algo dentro de você, não o deixa ficar na cama e o esforço é sempre compensado pela sensação de se fazer o que gosta.
O meu treinamento passou por diferentes estágios. Desde que tinha 9 meses minha mãe me segurava dentro de uma piscina para eu aprender a me virar na água, eu sempre surfei e a natação fez parte da minha vida, inclusive como competidor na adolescência. Em 2005 comecei a correr e naquele mesmo ano completei uma meia maratona com um excelente tempo (1h36min). O ciclismo foi o último dos esportes a entrar e hoje acho que ele ocupa o espaço mais quente do meu coração. Um dia num treino de corrida um menino que treinava comigo comprou uma bicicleta - Daniel, você não faz idéia do que é pedalar, eu não tenho mais vontade de vir correr, é outro mundo. Eu entendi, mas não acreditei totalmente no que ele dizia, mas mais alguns meses o João parou de aparecer nos treinos de corrida. Eu sempre lembrava disso, algumas vezes pedalava com um bicicleta qualquer, mas a bike não fazia tanto sentido assim. No final de 2012, por incentivo do Bruno Ramos e do Paulo Pacifici e pela lembraça do João decidi investir numa bicicleta de verdade. Depois daquilo passei a entender o que era verdadeiramente o ciclismo e porque seus praticantes exerciam tamanho fascínio pelo esporte. Pronto, os três esportes estavam prontos e agora era hora de procurar uma assessoria e montar um treinamento específico para o Ironman.



 

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