Tinhão, fodeu


-   

-       Tinhão fodeu!
-       Quê?!!!
-       Porra. Que merda que tu fez. Morreu, Tinhão. Precisamos dar um jeito nisto daqui logo.
-       Merda eu? Caralho Teco, como?
-   Como? Morreu, morreu porra. Temos que desaparecer logo com esta bosta antes que comece a feder.

Que foda, e o Tinhão me olhando desse jeito. Que merda que a gente fez... Tinhão, me ajuda aqui! Teco, e se a gente? De jeito nenhum! Fez merda, agora parceiro, vamos dar a descarga juntos. Fiz? Foi você que inventou. Caralho, onde isto vai dar? Vá se foder, Teco, seu otário! Eu é que não vou me meter nisto que tu começou. Resolva sozinho. Pera aí Tinhão, eu inventei? Quem chamou a puta? Meu Deus, como fui me meter numa merda dessas? Era para ser zoação. Isso não tem nada a ver com ela, veado! Esquece Tinhão, fodeu!  Agora, já era. Vamu sumir com isto e pronto. Porra, que nojo esse cheiro! Acho que eu vou vomitar... Pegue as pernas, me ajuda aqui!
Como se desaparece com um corpo? Sei lá. Anda Tinhão, me ajuda aqui. Uma vez um cara me disse que o jeito mais seguro é amarrar numa pedra e jogar num rio. Aqui, deixa aqui. Na hora me assustei, depois esqueci. Porra de memória, pânico faz tudo voltar. Precisamos arranjar uma pedra Tinhão. Pedra? Se liga Teco. Se liga você veado. Eu veado?



Tô ficando muito bêbado, o Tinhão tá pior ainda. Esta puta é feia pra cacete. Será que o Tinhão encara? Como essa mocréia pode cobrar? Ela é que devia pagar para eu agüentar essa inhaca. Vamos fazer na tua casa Teco! De jeito nenhum. Pra que ele quer gastar dinheiro para foder isso aí, comemos coisa muito melhor de graça, qual é a do Tinhão? Eu pago. Não é isso cara, você sabe. Eu não quero uma puta na casa do meu pai, pegou? A gente tinha combinado de ficar lá de boa tomando uma breja gelada. Qual é Teco, cerveja a gente toma toda hora, hoje a loiraça é outra. Vai ser do caralho nós dois fodendo. Não sei... Então, o coisinha bonitinha do pai, quanto tu cobra para fazer uma suruba com a gente no apê do meu camarada aqui? R$ 400, sem anal. Não! Com anal loira, me amarro num cu, né Teco? R$ 400, sem anal. Porra, aí não dá. Quer comer meu cuzinho, gato? Então paga. Não enrola, fala aí. R$ 600! Quê isso! R$ 500,00, e não se fala mais nisso. Por este preço dá para ficar duas horas e vocês pagam o táxi de volta. Combinado, nosso carro tá logo ali. Teco olha o que rabo. Vai dispensar? Não vejo a hora de baixar essa calça. O cuzinho é meu. Será que ela aguenta nós dois?
-       Como é que tu te chama loirinha?
-       Leona. E você?
-       Tinhão. Porra tu tá inteirinha. Que tu faz pra manter esse corpinho?
-       Não faço nada não, tenho sorte. Nem preciso né?
-       Precisar não precisa, mas hoje você vai ter que fazer bastante agachamento. Ouviu essa Teco? hahahahaha.
-       Para de graça, Tinhão. E se apressa aí que quero chegar logo.

Pera aí Tinhão. Esse mendigo sentado na calçada, cobertor molhado de mijo, tralha e o cachorro junto. Como é que deve ser a vida de um fudido desses?  E essa mão suja me pedindo dinheiro, escroto! Ô moço dá umas moeda pra eu cume aê. Tremendo 171, vai pegar a grana e se manguaçar. E se eu levasse esse cara junto? O Tinhão chamou a puta, eu levo ele. Ia ser diferente. Na casa do meu pai. O Tinhão ia ficar puto. Mas ia ser du caralho, puta história para contar. E aí parceiro vai beber hoje? Craro, já comecei, entornei muito. Bebeu o que? Cachaça, cachaça amigo, sou viciado nisso. Dependente? Dependente é coisa de rico, sou viciado, viciadão em cachaça e cigarros. Tá afim de enlouquecer mais hoje? Nunca sei né? Tem um maluco aí que ficou de aparecer, trazer umas vodka que ele roubou. Outra coisa também, tem uma pereba loirinha que tá afim de tomar umas. Só tomar? Depois a gente mete, se eu não cai antes. Cara, tenho uma coisa fina pra tu. Tá vendo aqueles dois ali? Tô sim, tô vendo, to vendo quatro até. Meu parceiro chamou aquela putinha para ir para minha casa. Não quer ir com a gente? Pra tua casa? Sim, vamos botar pra fuder na minha casa. Tá afim? Pra tua casa? É, porra, vem ou não vem? Demorô. Tinhãoooooo, segura ai, o gente fina aqui vai conosco. Teco, chega aqui. Tá maluco meu irmão? Isso aí é um mendigo fudido. Qual é Tinhão, hoje tô afim de barbarizar. Já pagamos a puta mesmo, e você disse que seria suruba, ela que faça o trabalho, não quero nem saber. Qual é playboyzinho, tu acha que nasci no lixo? Não vou foder com um mendigo. Eu pago. Paga quanto um milhão? Pago bem pra cacete pro cara ir. Só se essa imundice for esterilizada. Eu dou banho nele. Teco, esquece, o filha da puta tá fora, deixa ele aí. Tinhão olha aqui, você chamou a puta, eu tô chamando o cara. Empatou. Teco, na boa, você está bem? Te fode Tinhão. Eu morrendo de tesão nessa Leona e você chama esse maltrapilho para cagar tudo. Olha aqui Tinhão, eu também não queria a puta. O cara vai. Ou eu melo tudo.


Isto é que dá fazer essas porra. Vou pegar uma mala do meu pai, botar o corpo dentro. Tinhão, vamos colocar no carro e levar para uma margem. Daí amarramos numa pedra e jogamos na água. Morreu feliz. Morte feliz? Se existe não ajudei em nada, fudi com prazer. Cê tá de brincadeira Teco. Que rio? Qualquer um, mas tem que ser com cabo de aço. Corda não dá. Estoura fácil e o corpo vai boiar. Onde se compra um cabo de aço? Cabo de aço amarrado numa pedra, acho que não dá também. Tem que ser em outra coisa. Precisamos achar uma loja de construção.


Aaaaa casa livre, ninguém para encher meu saco. Sem sujeira. Preciso repetir isto pro Tinhão. Tinhão vem aqui. Quer cheirar primeiro? E o negocinho azul? Se precisar a gente usa. Tinhão, é a casa do meu pai, não vai cagar tudo, tá ligado? Porra, maluco. Tu me traz um mendigo e vem me falar de sujeira? Não fode! Bora come a puta. Sala estranha... sofá arredondado, tapete vermelho no meio. Que merda!! Cassete, minha casa parece um puteiro, que meu pai não me ouça. Essa vagabunda vai se sentir a vontade.
-       Você gosta de piano lindinho?
-       Do som não, gosto é de foder em cima dele.
-       Que tesão! Sou louca pra meter assim, largando a cabeça, enfiando as mãos nas teclas.
-       Então eu vou gozar na cauda e você lambe o piano botando os pés nas teclas.
-       Será que dá para fazer som assim?  
-       Vai sair a música do tesão. Tipo aquela sexual healing. Sabe?
-       Acho que sim, já fiz streap com essa.
-       O Teco não sabe fazer em cima do piano. Vai ver o pai dele não deixa ou tem pau pequeno.
-       Fica quieto otário. Quer medir com a boca?
-       Não preciso, já vi. Pede para seu “parceiro” medir.
-       Tu tá falando demais Tinhão, cão que ladra...
-       Vai cuidar do mendigo, vai Teco.
Mendigo deve estar pirando. Será que ele não quer comer? O Tinhão é um merda mesmo, tá cagando e andando. Falar na frente da puta que meu pau é pequeno. Sempre me dá esse nervosismo quando vou foder, frio... Agora ainda tem o mendigo. Tá foda, foda-se, vou aproveitar.
-       Aceita vodka Leona?
-       Porra Teco, põe um som aí, isto aqui tá parecendo um funeral.
-       Linda a vista daqui né?
-       Esse apartamento é du caralho mesmo. Essas portas de vidro com vista para a cidade...
-       Dá para ver tudo.
-       Tudo. O pai do Tinhão é muito foda.
-       Sério? Por que?
-       Desde que a gente era pequeno eu já achava ele um cara foda. Fez tudo na vida, boxe, caça, tourada. Sempre me tratou bem, gosto muito dele.
-       As coisas são ainda mais bonitas à noite, né?
-       Vem cá Leona, para eu ver se você também fica mais gostosa no quarto escuro.
Caralho. Mendigo fedido do cacete. Judiado da vida. Gente fina, mas muito fudido. Deve estar achando tudo estranho, vai gostar, vai sim. A puta vai reclamar dele, certo que vai, vou mandar se foder. Se encher o saco, mando embora. Puta!
-       Você está de sacanagem? Não disse que ele ia tomar banho antes?
-       Ele vai participar da festa assim mesmo!
-       Não, nem a pau.
-       Vai sim.
-       Ele fede, porra.
-       Mas ele é assim caralho. E eu já te paguei.
-       Se não tomar banho vou embora.



Que foda ficar ao lado de um defunto. Teco a gente tá fudido? Calma, vai dar tudo certo Tinhão. Só não podemos perder o controle, que aí piora. Foda! Tô morrendo de medo! Cara o pessoal de funerária, trabalha com isto todos os dias. Tem que tratar o cadáver como um objeto. O corpo frio, não existe significado na vida. Não mesmo, esse rosto sem cor não significa nada. O que vale mesmo é realizar as vontades, só. Dobra mais a perna. Essa porra tem que entrar na mala, caralho. Joga o pé mais pra cá. Porra Teco, tá parecendo que tu trabalha numa funerária mesmo. Não tem nojo? Vamos tirar logo esse troço da nossa frente. É só uma pessoa morta e morreu feliz ainda. Isto aqui não faz diferença nenhuma para o mundo. Que se foda, essa porra não valia nada mesmo!
E se não der para jogar na água? Daí, enterramos. Então tem que pegar a pá. A hora que esse troço for para a vala enterro estes desejos escrotos. Mas e todas aquelas notícias que saem no jornal que encontraram um corpo desaparecido enterrado numa floresta? Foda mesmo, mas é o jeito. Vai fazer o que? É impossível sumir completamente com alguém morto Tinhão, a morte gruda na gente. Certeza.
Bora pro carro. Quanto tempo isto vai durar. Não agüento mais. Vou parar aqui mesmo, ali tem uma margem de rio. Cerca dos dois lados. Que medo, tá tudo confuso. Porque minhas pernas tremem? Só erro essas marchas cacete. Tenho que tirar essa cena da minha memória. Esquecer. Passa como um filme na minha cabeça. É clara como se eu estivesse vivendo-a novamente.


Que merda esta puta no meu sofá. Ela falou para eu dar banho no cara, mas ela é que é nojenta. Que idéia idiota, fazer merda para depois poder rir. O parceiro, como é teu nome? O meu? Tiego. Presença a casa aqui hein? Quer beber algo Tiego? Cachacinha é sempre bom né? Só tem Whisky. Firmeza, manda. A puta tem razão, não dá para este cara ficar aqui neste fedor, precisa de um banho mesmo.
-       Tinhão vou dar um banho nessa imundice, pode ir se divertir.
-       Tô indo pro quarto. Depois pinta lá. Ela já vai estar molhadinha.
-       Tiego você tem que tomar um banho.
-       Banho. Pra quê? Pra foder? Já tomei ontem.
-       Chega aí. Vou te mostrar o banheiro.
-       Beleza cumpádi.
-       Deixa a roupa aí que vou pegar uma limpa pra ti.
Que nojo deste cheiro! Ele tem uma queimadura enorme na bunda. Será que alguém fez de sacanagem? Os caras sofrem. Se divertem também, mas se fodem muito. Liberdade total. Caralho, a água sai preta do corpo dele. Que sensação estranha. Vontade? De que? Não, não pode existir tesão nisto. Não pode. Por que eu faria isto? A puta está lá nos esperando. Irmão, sai água quente pra casseta daqui. Muito bom. Pode sair já, pegue a toalha. Não quero nem ver. Vou me virar e sair. Agora que você está limpo vamos fazer a sacanagem. Puta chata essa né? Porra irmão você pagou e ela não quer dar. E se eu pegasse por trás? Não. Por que esse desejo. Puta é tudo uma merda mesmo. Elas só nos enganam. Verdade, como umas as vezes lá na praça quando elas querem beber. Só servem pra gente se aliviar. Foda-se! Farei. Não. E se e o Tinhão souber? Eu gosto de mulheres. Estou com tesão nisto? Tiego, quer mais alguma coisa? Ir pra festa, vamu? Ele começou a colocar a camisa. Vou alcançar estas coisas. Não pode abrir a porta. Que foi? A festa vai começar aqui. Calma irmão. Preciso segurar forte. A cara dele no espelho. Cena horrível. Por que estou fazendo isto? Tesão. Preciso arrancar a calça. Para aí cacete. Vamo! Rosto cheio de cicatrizes, vida mal vivida, por trás minha juventude. Me excita. As mãos dele na pia, o cu apertado. Ele está abrindo a torneira. Eu metendo com força. Tiego, morde esta toalha. Intensidade indo ao limite. Minhas bolas batem nas dele. Ele gosta. Vou gozar apertando a toalha no seu rosto. Mais, mais, mais. Ele está gritando, gemendo. Sufoco. Gozo. Agora é minha vez.


Eu vou descer do carro. Tinhão pega a pá na mala. Pulo a cerca. Tinhão sentado, cabeça baixa, mudo. Por que fiz isto? Onde eu estava com a cabeça. Porra Teco, que merda! A gente vai se foder. O cara morreu. Daqui uns 100 metros tem umas árvores. Vamos cavar lá. Cavar é bom. Cada pazada de terra que sai do chão, sai um peso das minhas costas. Ainda bem que isto vai acabar logo. Quero voltar para casa, tomar meu banho e dormir o sonho dos injustiçados. Acho que já cavamos bastante. Já dá para jogar o corpo. Enterrar estes desejos escrotos. E se os donos desse lugar passarem por aqui a cavalo? Os bichos sente mais que nós. Vão empinar e eles vão descobrir. Acho que são eles que descobrem os corpos das florestas que aparecem nos jornais. Para de falar merda Tinhão, precisamos trazer o morto.
Não quero ver o cara dobrado na mala. Pego os braços, Tinhão tu as pernas. Pisa na cerca pra eu passar. O morto está com aquela camisa que eu dei pra ele. Acho que não vai passar. Passou, mas ficou pendurado um lenço branco bem limpinho que estava no bolso. Parece uma bandeira da paz, a paz das nossas vidas. Espero que fiquem aqui, junto com o lenço pendurado, nesta cerca distante, todas as coisas erradas da última noite. Enterraremos o coitado e voltaremos para casa. Viver não tem alívio.
Estou me lembrando. O Tinhão abriu a porta. Eu gritava. O mendigo atrás de mim. Ele estava com um pau na mão. A porrada foi forte. Puta que pariu...
Tinhão será que a gente vai conseguir viver com isso? Não sei cara, vai ser foda. O cara tá enterrado, ninguém vai saber. Vamos embora. Nós dois na mesma porta do carro. O que o Tinhão quer. Teco. O que? Isso não está acontecendo, não, mais essa não. A língua dele é dura, mais que a do mendigo...





Comentários

  1. Não encontrei outra palavra para definir: PUTA QUE PARIU!

    Conto fodaço. Surpreendente, questionador, tenso.

    Vou compartilhar com certeza!

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