A FLIP DE valter hugo mãe


Voltei domingo da FLIP, nem consegui escrever sobre o que meu amigo Walter (este com W e maiúsculo) chamou de Disneylândia da intelectualidade e estou agora em Santiago aguardando o sono chegar pois amanhã terei um longo dia de snowboard. Os intelectuais de plantão podem dizer que escrever sobre uma viagem de ski é algo burguês demais para ser literário. Estou obrando para eles.
Enfim, meu objetivo agora é falar um pouco sobre a FLIP, mas antes quero compartilhar um insight sobre viagens que me veio agora. Quando eu lia os contos do Bolaño eu ficava com uma certa  inveja das tantas viagens que ele descrevia, emendando uma na outra, pulando de um país para o outro colhendo experiências e levando-as para a literatura. Eu pensava “como esse falido (não no sentido pejorativo, basta você ler um conto dele para saber que ele não tinha dinheiro mesmo) consegue viajar tanto?” Aí comecei a lembrar que ele sempre se hospedava na casa de algum amigo. Talvez esteja aí a chave para se viajar bastante – não desenvolverei mais o tema.
Aaaaaaa a FLIP é mesmo, é dela que eu ia falar. Pretendo escrever mais textos sobre o evento, então começarei pelo destaque. E ele vem de Portugal, mas é angolano e com letras minúsculas valer hugo mãe, é isso mesmo tudo em caixa baixa. Talvez essa opção de jamais usar letras maiúsculas em seus textos, seja reflexo do seu temperamento low-profile.

Minutos antes de subir para compor a mesa com Pola Oloixarac, a argentina com pinta de celebridade, valter estava só numa cadeira no Instituto Moreira Sales. Subiu ao palco como mais um escritor que estava ali para expor sua visão de literatura e falar um pouco sobre seus livros. valter era um desconhecido para quase todos nós que o assistíamos. Falou com simplicidade, trazendo uma visão diferente daqueles que acham que tudo na literatura tem que ser dolorido, inclusive o ato de escrever. Falava com simpatia sobre literatura de uma forma leve, mas sem deixar de ser profunda. No final, hugo mãe contou sobre como começou sua relação com o Brasil quando uma família de brasileiros se mudou para sua cidade. A primeira coisa que eles fizeram foi doar uma ambulância para a comunidade onde segundo ele “doentes felizes eram transportados”. Depois disso, os brasileiros ganharam ainda mais notoriedade na cidade pois eles sabiam o final das novelas que estavam passando em Portugal. As pessoas se admiravam tanto com aquilo que começaram a ir à casa dos brasileiros para pedir todo tipo de conselho. valter contou que certa vez uma menina se despia a sua frente e quando um amigo dele chegou ela não quis mais se exibir. Questionada sobre por que mostrava tudo ao valter e não ao seu amigo ela disse uma frase que fez o escritor amar ainda mais o nosso pais  “é que você não é amigo das brasileiras.”
Difícil descrever o final apoteótico que hugo mãe deu a sua fala, exaltando seu amor pelo Brasil, parando para chorar e dizendo o quanto estava feliz por visitar o nosso país como escritor. Foi aplaudido de pé e não foram poucos os que derramaram lágrimas ao final. 

VEJA UMA ENTREVISTA DE valter NA FLIP

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