O Peso Real de Paulo Guedes

Quando ouvi Paulo Guedes, um dos principais economistas brasileiros, iniciar sua apresentação no XXI Fórum da Liberdade, pensei que ele havia desistido de tentar emplacar as idéias de Locke na nossa administração pública. Realmente não deve ser fácil falar por mais de 30 anos sem encontrar um único político com a coragem de aplicar práticas econômicas mais modernas. Analisando posteriormente sua linha de raciocínio, percebi que o que o fundador do Banco Pactual e da Universidade IBMEC achara era uma brecha dentro da atual conjuntura política brasileira para aplicar uma revolução liberal.

Para que uma idéia pegue dentro deste contexto, ela não pode ser apresentada para beneficiar o indivíduo, mas deve ser algo que, aparentemente, ajudará multidões. será aceita pelos políticos da América Latina se tiver uma roupagem socialista, mesmo que não seja. Nãooutra forma, uma vez que estamos em um continente de 19 países onde 13 deles são socialistas ou social-democratas.

Como queremos mercados mais abertos por aqui, a solução proposta pelo economista brasileiro é unir as moedas da América Latina e criar o PESO-REAL. Isto traria benefícios para todas essas populações, ajudando os países mais pobres, o que seria muito bem visto, e fortalecendo os mais ricos. Como temos Peso por todas as partes (Uruguai, Argentina, Chile, México, República Dominicana, Bolívia, Cuba e Colômbia) e do outro lado um subcontinente chamado Brasil com o Real, equilibraríamos a balança no nome da moeda e na influência política. Claro que nem tudo é festa. Visto que nossa colonização Ibérica se esqueceu de ensinar que leis devem ser cumpridas, para que não haja abusos de poder nesta união, quebras de contrato devem ser severamente punidas, até mesmo com a exclusão do infrator, se necessário for.

Paulo Guedes começou sua apresentação falando que no início do século passado, o mundo vivia, tal como agora, um momento de euforia e otimismo. A globalização e o desenvolvimento econômico vinham crescendo exponencialmente, até que, muitos países foram atingidos por um equívoco chamado comunismo. Mercados se fecharam, economias encolheram e tudo piorou, chegando-se ao fundo do poço com o início da I Guerra Mundial. A dificuldade de interação entre os países gerada pelo socialismo foi culminante para o estouro da Guerra, vale lembrar que NAZI era a sigla do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães e quando o mercado começou a reagir, veio a II Guerra atrapalhando tudo outra vez, permitindo que nos recuperássemos recentemente. Há 70 anos que a economia mundial não crescia durante 6 anos seguidos a taxas acima de 5%.

Mas o equívoco está de volta e bem presente em nossos governos, e se não fizermos nada para atenuá-lo, seremos devorados pelos 3,5 bilhões de euro-asiáticos que acabam de entrar no mercado, loucos para trabalhar, dispostos a qualquer sacrifício para poupar e prontos para romper qualquer código de ética para vencer. Paulo Guedes disse que ele e seus colegas olham para os Estados Unidos dos dias de hoje da mesma forma que olhavam para a Inglaterra na década de 40, vendo um barco luxuoso que começa a afundar de tão pesado e que não conseguirá conter os mais leves e velozes que chegam com força total.

Acredito que possamos vencer os euro-asiáticos se nos tornarmos mais competitivos, e nesse ponto, uma economia de mercado mais aberta é essencial. A criação de uma nova moeda mais forte pode ser um bom começo. Posteriormente, teremos que acumular reservas de Euro (para que a eventual falência dos Estados Unidos não nos prejudique tanto) e fazer todos os investimentos em infra-estrutura e educação que uma nação de ponta necessita.

Comentários

  1. belo artigo. Me lembrei da tua pesquisa com o "sabe tudo" de tipos de governo. Pena que esta idéia do peso-real ainda está muito longe e pouco disseminada. Quem sabe salvaria o Mercosul, que só engatinha. Abraço, René

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  2. Parabéns Daniel, muito bom o artigo!
    Abraço Marcelo Sanvicente

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  3. Daqui a 11 anos,ele sera o ministro da e onomia e salvara o brasil

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