Um governo-presente do futuro


Se pudéssemos definir o papel do Estado em poucas palavras, acredito que chegaríamos bem perto disto: Proporcionar um ambiente onde as pessoas possam se desenvolver, gerando prosperidade e felicidade para si e para todos.

Dentro deste ambiente, é preciso que seus habitantes tenham saúde, segurança e educação públicas e de alta qualidade. O fortalecimento da sociedade civil é a base para que o plano tenha êxito, caso contrário, beneficiará apenas chefes de governos, militares e empresários exploradores. Todo projeto de prosperidade irá por água abaixo se não houver um real respeito aos Direitos Humanos e às minorias. No mercado, o governo deve intervir o mínimo possível e apenas fiscalizar abusos. O Estado não pode jamais criar instituições públicas que compitam ou, pior ainda, que tirem da iniciativa privada a possibilidade de gerar riquezas.

O Governo do futuro é aquele que acordou para o fato de que hoje, há no mundo um ativo a mais do que terra, mão-de-obra e capital. Estamos na Era da Informação e esta se tornou o maior ativo dos dias de hoje. O poder que a informação possui atualmente mudou completamente a forma da sociedade se organizar. Não obstante, muitos governantes ainda operam num sistema onde o único interesse que havia era o econômico, sendo assim, é partilhar um pouco a geração de riquezas e seu objetivo está cumprido.

O conhecimento interfere tanto na vida das pessoas que não se pode negociar com um verdadeiro ecologista dizendo: “A espécie que você está defendendo está ameaçada, mas nós vamos com a construção dessa usina, matar apenas alguns milhares de espécies, depois eles se reproduzem de novo e você ainda vai ficar com 5% do lucro.” Ou ainda propor para a defensora dos direitos da criança: “ escravizaremos as crianças que moram no Nordeste”. A informação partilhou o poder do Estado, formando muitos grupos com força e necessidade de autonomia. Desta maneira, se tornou impossível para o governo adotar uma atitude intervencionista, ele precisa gerenciar maneira eficaz aproveitando o poder das células organizadas.

Qual a melhor estratégia para o governo que deseja cumprir seu verdadeiro papel?

Se o papel do Estado é o bem-comum, nada melhor do que compartilhar o poder. Vivemos em uma época de pluralismo (ver os textos deste autor, Era do Compartilhamento e As Vantagens do Compartilhamento) e os interesses não são apenas econômicos como eram há pouco tempo atrás. Hoje a sociedade sabe gerar riquezas sem precisar do governo, por isso mesmo, quanto menos ele se meter melhor. Ela quer resolver também questões de cunho cultural, social, ecológico e até espiritual.

Para que haja mais resultados, é preciso que o governo-presente do futuro compartilhe mais atribuições com a população. Uma sociedade civil bem organizada pode propor soluções que contribuirão para o Estado desempenhar seu papel. Da parte das pessoas, que têm maior conhecimento nas suas áreas, espera-se que organizem-se, ajam, proponham e realizem. Cabe aos governantes, ouvir e agir conforme as vontades de seu eleitorado.

O Estado deve gerar condições para a construção do ambiente ideal, que foi mencionado no início do texto, e fazer com que as pessoas gerem prosperidade e felicidade para si e para todos. Como dizia o pensador francês Alexis de Tocqueville: "O país mais democrático do mundo é aquele onde os homens levaram à máxima perfeição a arte de alcançar em conjunto o alvo das aspirações comuns, e aplicaram essa nova técnica ao maior número de objetivos." O governo do futuro conseguirá isto através da distribuição de poder em instituições pluralizadas que atuarão nos três setores da sociedade, são elas:

setorpúblico. Através das Think-Tanks;

setorprivado. Apoiando o empreendedorismo e a perenidade das empresas;

3º setor – organização da sociedade civil. As organizações não governamentais podem ser as maiores aliadas do Estado nas questões de desigualdade social.

Think-tanks

Segundo explicação de Raymundo Magliano presidente da BOVESPA que deseja trazer este tipo de prática para o Brasil. “A expressão remete originalmente aos gabinetes em que generais americanos debatiam, durante a Segunda Guerra Mundial, as estratégias a serem adotadas contra o inimigo. Hoje nos EUA há milhares de think-tanks, dedicados aos mais variados objetivos e temas - um fenômeno que atesta de modo geral o poder da sociedade civil americana, historicamente inclinada a formar organizações civis e políticas independentes do Estado.” Este tipo de organização promove discussões abertas à população e depois sugere práticas na administração pública. A própria sociedade é a que pode dar a melhor opinião do que é prioridade para ela. A sociedade civil precisa se organizar de acordo com estes modelos e cobrar dos seus governantes políticas que sejam condizentes com os desejos primordiais de seus membros.

Empreendedorismo e empresas sólidas

As bases do empreendedorismo são a ambição e a informação, esta última é papel do governo. Ao jovem empresário cabe o talento para captar no mercado os recursos humanos e financeiros para o seu sucesso. Apoiar novas empresas é a melhor maneira que o governo tem de gerar receita, empregos e felicidade.

No entanto, não nos esqueçamos das empresas grandes e sólidas. No Brasil, há muita desconfiança em relação às instituições mais fortes, elas são vistas como ladras e exploradoras dos pobres. A praga do coronelismo, extrativismo e escravatura ainda está impregnada no DNA do brasileiro.

Um país forte e perene se consolida com instituições da mesma envergadura. Se quisermos prosperidade temos que apoiar e espelhar-nos em quem possui tais atributos. Em contrapartida, as empresas também devem pensar e agir pelo bem-estar social. O governo se mostrou incapaz de tal papel. São as empresas e seus membros, que devem cobrar isto da instituição junto com os seus consumidores, os grandes agentes para a melhoria social de uma Nação.


ONGs

O sucesso dos Estados Unidos não vem da boa administração pública de seus governantes, mas da força que possui a sociedade civil ianquiana. É incomensurável a quantidade de mudanças que um grupo coeso e organizado pode promover. As organizações não governamentais estão para mostrar isto. O governo não tem condições nem competência para suprir todas as necessidades dos menos privilegiados. Caberá às ONGs este papel.

No entanto, elas não podem focar seu trabalho em simples assistência social que geram pessoas dependentes, devem se concentrar em qualificação daqueles que foram privados temporariamente de competências. Elas não devem pedir apoio com apelo de necessidades, mas demonstrando resultados. As ONGs são as organizações civis mais capacitadas para acolher os menos privilegiados desenvolvendo nestes suas aptidões para que possam se tornar independentes e realizados.

Sociedade civil e governo

Como vimos até aqui estes dois membros da sociedade devem trabalhar de mãos dadas para a prosperidade da Nação. Não é papel do governo apadrinhar seus habitantes, mas também cabe a ele fortalecer as organizações civis e permitir que suas opiniões o permeiem cada vez mais. A população também não deve ficar apenas reclamando e se vendo longe da administração pública, cabe a ela se organizar, propor e pegar para si as responsabilidades que pode resolver e não ficar esperando que o Pai-Estado faça tudo. Se essas duas organizações trabalharem juntas gerando sinergia e aprimoramento mútuo, chegarão ao ambiente ideal onde qualquer realização é possível.


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