A vitória que veio debaixo

Comecei a escrever em 2005, como não fiz faculdade e conhecia gente que estudava de tudo, acabei conhecendo o liberalismo mais cedo que a maior parte das pessoas.
A frase atribuída a Winston Churchill, mas que não é dele:


"Quem não foi socialista aos vinte anos não tem coração; quem continua sendo aos quarenta não tem cérebro." 

Não serve para mim, sempre acreditei nas ideias da liberdade.


Para se apresentar com um liberal, preciso abrir um parêntese até os Estados Unidos e explicar que, somente lá, os liberals são os esquerdistas.

  • 2005 era um momento em que o PT ainda não tinha sido pego no mensalão e o Brasil colhia bons frutos econômicos da manutenção das políticas de FHC. Se ainda hoje, após tudo o que foi mostrado de crimes do Partido dos Trabalhadores ainda "pega mal" em alguns círculos falar contra o PT, imagina no auge do seu governo.

A sorte do Brasil é que, apesar da hegemonia de ideias esquerdistas em todo o meio acadêmico, cultural e jornalistico, existiam alguns estudiosos das ideais liberais, que eram quase proibidas nesses meios após a ditadura militar. Um desses pensadores que teve influência direta no meu aprendizado político foi William Ling, fundador de um Think Tank liberal e independente chamado IEE, Instituto de Estudos empresariais fundado por ele em 1984 em Porto Alegre.
Um amigo de infância, Marcelo Sanvicente começou a me falar do IEE e das ideias que defendiam. Aquilo fazia muito sentido com o que sempre acreditei em termos de meritocracia, valorização do indivíduo, da liberdade e da propriedade privada. Depois descobri que outro amigo, o Paulo Uebel, estava presidindo a instituição.
O IEE organiza anualmente o maior evento político do Brasil, o Fórum da Liberdade. Quando o Paulo foi presidente em 2007, o Vicente Perrone, que foi meu colega no colégio, foi o organizador e tive o privilégio de participar de um jantar com Aznar, ex-presidente da Espanha e ouvir as ideias pessoalmente de Paulo Guedes.
Os liberais sabiam que não haveria forma de termos um presidente que aceitasse ideais vindas do nosso lado como privatizações ou facilitações nas contratações de funcionários. O máximo que podíamos sonhar, era que uma ou outra proposta pudesse ser implementada em um ou outro governo.
A angústia de saber que o máximo que essas ideias poderiam almejar seria uma frestinha, os liberais passaram a levantar argumentos sem fim para derrubar, pelo menos logicamente, tudo o que estava sendo montado.
Poucos jornalistas criticavam o PT nos governos do Lula. Quem, antes de escritores independentes como Rodrigo Constantino, tiveram coragem de escrever em grandes meios da mídia que o que o PT estava fazendo certamente iria dar errado?
Se você pensa que isso é óbvio, imagine se hoje ainda há gente que acha que governo deve controlar ainda mais os preços e o mercado depois de tudo o que a "nova matriz econômica" da turma da Unicamp produziu de rombo, naquela época, escrever contra o PT era motivo de exclusão ou ridicularização.
Enquanto a esquerda ria de tudo. A direita estudava e criava bons argumentos em todos os âmbitos da administração pública. A esquerda, continuou em debates fechados de centros acadêmicos e sempre apoiada pela classe artística.

Tudo se repetiu até:

  • 2013 - O ano que pode registrado como o ano de fundação da direita no Brasil.
    Roberto Campos, um dos poucos intelectuais liberais do Brasil disse certa vez "a esquerda só sabe fazer duas coisas: organizar passeatas e bagunçar a economia." Até aquele ano, nunca havia existido uma manifestação expressiva que não tivesse sido organizada nos Centros Acadêmicos comandados por partidos esquerdistas.
    Foram nesses locais que começaram a manifestação "Não é por R$0,20."
    O motivo inicial daquelas manifestações era um aumento nos preços dos ônibus feito pelo governador Geraldo Alckmin. A manifestação começou como uma revolta da extrema esquerda que não admitia ter um governador que não fosse do seu partido. Na época o PT tinha a presidência com Dilma e a prefeitura de São Paulo com Haddad. Como havia muita gente indignada com os escândalos de corrupção começou a acompanhar os protestos. Com o tempo as passeatas passaram a ter outras conotações como a luta contra a corrupção que já aparecia no governo Dilma. 
  • 2014 foi o ano que a Lava-Jato estourou e que o primeiro adversário do PT começou a dizer as verdades sobre o partido. Aécio é um corrupto tão sujo quanto Dilma e Lula, mas uma coisa ele fez de bom pelo país. Mostrou a toda sociedade brasileira que a verdade sobre o partido mais corrupto da História deveria ser dita e que ninguém deveria ter medo de defender isso. Aécio permitiu que a indignação dos brasileiros fosse ouvida.
    Numa eleição com contagem duvidosa, Aécio perdeu para Dilma e foi pego em seguida na Lava-Jato. 
  • 2015 A Lava-Jato começa a apresentar cada vez mais prova do maior esquema de corrupção de todos os tempos, o Petrolão. A indignação dos brasileiros aparece fortemente nas redes sociais e movimentos de direita como o MBL, o Vem pra Rua o Endireita Brasil e outros começaram a aparecer e organizar passeatas pelo impeachment da presidente Dilma. Os líderes desses movimentos eram estudiosos da literatura liberal conservadora desde Hayek há Roger Scruton. O liberal Ludwick Von Mises é mais pesquisado no Brasil que nos Estados Unidos, onde viveu e produziu parte da sua obra. Essas eram as bases dos argumentos que sustentavam os debates dentro das redes sociais e nas passeatas. 
  • 2016 - Dilma é impeachmada depois de passar por todos os processos legais de defesa. 
  • Dória é eleito no 1º turno apresentando-se o tempo todo como anti-PT e pró mercado. Venceu em quase todas as zonas eleitorais da maior cidade da América. 
  • 2017 Bolsonaro apresenta-se como candidato à presidência, mas continua sendo ridicularizado pela mídia mainstream e pela opinião dos intelectuais da social democracia. 
  • 2018 quando Bolsonaro se torna uma candidatura real ele chama para seus assessor direto Paulo Guedes. Um dos pensadores que já influência Think Tanks brasileiros desde a década de 90. Paulo Guedes é da Escola de Chicago e estudou com um dos maiores economistas de todos os tempo Milton Friedman. 
    Quando os esquerdistas desesperados começaram a produzir os argumentos que sempre deram certo nas eleições anteriores como apavorar a população e prometer mentiras como a de que dessa vez o partido iria mudar, já era tarde.
    O Brasil já havia entendido o esquerdismo com as obras do Olavo de Carvalho ou com a produção do Brasil Paralelo mais do que os próprios esquerdistas. Já era tarde mesmo.
    O brasileiro médio entendeu que o socialismo, por mais que "intelectuais da USP" o defendam, nunca deu e nunca dará certo em nenhum lugar.
    Se você debater hoje com qualquer cidadão que vota em Bolsonaro ele vai apresentar argumentos mais claros que muitos PHDs de Harvard, que apenas gritará dizendo que o "fascismo" (movimento esquerdista) põe em perigo a democracia. 

Se você acha que Bolsonaro é fruto de um espasmo de ódio da sociedade, você está bem enganado por professores marxistas que leram a realidade de maneira completamente errada por muitos e muitos anos. Bolsonaro é parte de uma intelectualidade das grandes tradições liberais e conservadoras do mundo todo e sua vitória é fruto da capacidade do cidadão comum verificar o que faz mais sentido para ele e não para seu ator da Globo. 
A verdade venceu, o Brasil está livre das mentiras.


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